Exercícios e discussão
Verificação imediata
Tarefa de investigação
Efeito: no curto prazo, pode levar as pessoas a evitar infrações por medo da punição, isto é, “o povo evita a punição”. Limitação: se depender apenas de decretos e castigos, o povo pode buscar somente evitar a punição e ter pouco senso de vergonha, isto é, “sem vergonha”, sendo difícil formar uma disposição consciente para o bem.
Efeito: por meio do exemplo de virtude e da orientação pelos ritos, pode levar as pessoas a “ter vergonha e se corrigir”, buscando voluntariamente o bem. Pré-condições: que os gestores realmente consigam corrigir a si mesmos, que as normas dos ritos sejam claras e viáveis, e que haja condições básicas de ordem e de subsistência.
Exige que os gestores primeiro corrijam a si mesmos e deem exemplo por meio de ações visíveis; caso contrário, mesmo que emitam ordens, será difícil que as pessoas realmente obedeçam. Isso é coerente com “governar é retificar”.
Não convém colocá-los em oposição. Confúcio não nega a necessidade das instituições e das penas, mas enfatiza mais o exemplo de virtude dos que estão em posição superior e a orientação pelos ritos. Uma abordagem mais razoável é: usar as instituições e as penas para garantir o limite mínimo, e usar o governo pela virtude e os ritos para cultivar a vergonha e a consciência, fazendo com que “o povo evite a punição mas não tenha vergonha” se transforme em “ter vergonha e se corrigir”.
Objetivo de aprendizagem desta página: comparar as diferenças entre as duas concepções de governança, “guiar pela lei e uniformizar pelo castigo” e “guiar pela virtude e uniformizar pelos ritos”. Confúcio disse: “Governar pela virtude é como a Estrela Polar, que permanece em seu lugar e todas as estrelas se voltam para ela.” (Analectos, “Governar”)
“Governar pela virtude é como a Estrela Polar, que permanece em seu lugar e todas as estrelas se voltam para ela.” (Analectos, “Governar”)
A Estrela Polar simboliza o governante que toma a conduta virtuosa como fundamento: permanecendo em seu lugar e cultivando sua virtude, as pessoas naturalmente se agregam ao seu redor. Em seguida, ele coloca as duas abordagens lado a lado: “Guiar pela lei e uniformizar pelo castigo: o povo evita a punição mas não tem vergonha; guiar pela virtude e uniformizar pelos ritos: o povo tem vergonha e se corrige.” (Analectos, “Governar”)
“Guiar pela lei e uniformizar pelo castigo: o povo evita a punição mas não tem vergonha; guiar pela virtude e uniformizar pelos ritos: o povo tem vergonha e se corrige.” (Analectos, “Governar”)
“Dao” é guiar; “qi” é normatizar e ordenar. Decretos e castigos fazem com que as pessoas busquem apenas evitar a punição, sem senso de vergonha; a virtude e os ritos fazem com que tenham senso de vergonha e busquem voluntariamente o bem. “Ge” costuma ser interpretado como corrigir-se e voltar-se para o bem. Confúcio não nega a necessidade das instituições e das penas, mas valoriza mais o papel exemplar dos que estão em posição superior.
Confúcio disse: “Se a própria conduta é reta, as coisas andam mesmo sem ordens; se a própria conduta não é reta, ainda que se deem ordens, elas não serão obedecidas.” (Analectos, “Zi Lu”) E acrescentou: “Governar é retificar. Se você lidera com retidão, quem ousaria não ser reto?” (Analectos, “Yan Yuan”)
“Se a própria conduta é reta, as coisas andam mesmo sem ordens; se a própria conduta não é reta, ainda que se deem ordens, elas não serão obedecidas.” (Analectos, “Zi Lu”)
Esse conjunto de citações desloca o foco da governança de “emitir ordens” para “os que estão em posição superior primeiro corrigirem a si mesmos”. O governo pela virtude não é gritar mais slogans, mas sim os governantes darem exemplo por meio de ações visíveis.
“A virtude do homem superior é como o vento; a virtude do homem comum é como a relva. Quando o vento passa sobre a relva, ela certamente se inclina.” (Analectos, “Yan Yuan”) O vento e a relva servem de metáfora para a influência dos que estão em posição superior: para onde o vento sopra, a relva se inclina. A virtude dos superiores é como o vento, e o povo é como a relva, mostrando que a virtude influencia os governados.
“A virtude do homem superior é como o vento; a virtude do homem comum é como a relva. Quando o vento passa sobre a relva, ela certamente se inclina.” (Analectos, “Yan Yuan”)
Termos centrais: governar pela virtude significa orientar o povo pelo exemplo de conduta virtuosa do governante, e não apenas por decretos e castigos; vento da virtude refere-se à metáfora do vento e da relva para explicar a influência da conduta virtuosa dos que estão em posição superior sobre o povo.
Das citações acima se percebe que Confúcio considera “ter vergonha e se corrigir” um efeito de governança mais valioso do que “o povo evitar a punição mas não ter vergonha”. As penas podem conter comportamentos, mas não necessariamente cultivam a vergonha e a consciência; a virtude e os ritos podem orientar as pessoas ao bem a partir do interior. Mas o governo pela virtude também depende de pré-condições: que os superiores realmente consigam corrigir a si mesmos, que os ritos tenham conteúdo praticável e que haja garantia de condições básicas de subsistência e ordem.
Portanto, ao ler “Governar pela virtude e a distinção entre o governo pela virtude e o governo pelas leis penais”, não convém entendê-lo simplesmente como “não usar penas”. A compreensão mais precisa é: Confúcio não nega as instituições e as penas, mas se opõe a depender apenas da coerção; ele exige que os governantes primeiro deem exemplo de virtude e então complementem com a orientação pelos ritos, para que o povo tenha vergonha e se corrija.
Reflexão para transferência: se hoje uma equipe ou comunidade precisa tanto de regras que a limitem quanto de que seus membros busquem voluntariamente o bem, como o líder pode combinar “corrigir a si mesmo” com “instituições”? Use as evidências originais desta página para elaborar uma resposta com ponto de vista.
